A minha secção de livros de dieta já
ocupa um espaço considerável na minha estante. Alguns deles só não vão para o
ecoponto porque tenho medo que reaproveitem o papel para imprimir livros da M.
Rebelo Pinto; outros valeram a pena, essencialmente por causa das receitas.
Há alguns anos atrás, os livros de
dietas eram, na sua maioria estrangeiros, com receitas e dicas dificilmente
adaptáveis à nossa cultura e bolso (não, eu normalmente não como papas de aveia com blueberries ao pequeno-almoço, não cozinho veado nem tenho orçamento para
vieiras e ostras). Depois deu-se o Boom! Hoje em dia, quando entramos numa
livraria, vemos que o filão das dietas continua a ser explorado como se não
houvesse amanhã. Dizem que devemos optar por uma alimentação saudável o ano
inteiro mas depois aproveitam-se do nosso despertar da hibernação nos meses
pré-estivais para nos bombardearem com promessas adocicadas de melhores versões
de nós mesmos, como se fosse só preocupação legítima com o nosso bem-estar.
O último livro que comprei foi “ Corpo
de Verão o ano inteiro” da nutricionista Ana Bravo. Já a conhecia (mais das
revistas cor-de-rosa do que de outra coisa) mas nunca tinha lido nada dela.
O livro é “bonitinho”, muito bem
organizado e acessível. Na capa vem a própria Dra. Ana, sorridente, adornada
por um fundo de areia e oceano, mostrando as curvas e contracurvas do seu corpo
marcadamente de Verão (ou manipulado num qualquer programa de edição de imagem…
Pode ser impressão minha mas aquela curvatura “dorsal” não me parece nada nada
natural. Não chegamos lá apenas com reeducação alimentar e
exercício? Pelo menos a Dra. Ágata Roquette aparece quase sempre com aquelas
batas brancas largueironas...).
Na minha opinião de leitora que já
anda a virar frangos dietéticos há muitos anos, o livro não traz grande coisa
de novo - não que estivesse à espera disso. No entanto, também não me arrependi
de o comprar e acredito que possa ser uma mais-valia.
Parece-me um plano exequível, atento
às questões culturais que sempre envolvem a alimentação, contemplando produtos
acessíveis e fáceis de encontrar. Apesar de também restringir os hidratos de
carbono (HC), não os elimina totalmente (por exemplo: pode-se comer as frutas
recomendadas desde a primeira semana, feijão, batata…).
Gostei da inclusão nos cardápios de “pseudocereais”,
como o amaranto, a quinoa e o millet. Embora interessantes sobre
o ponto de vista nutricional e cada vez mais fáceis de encontrar, noto que
muitas pessoas ainda não os conhecem (apesar de não serem propriamente baratos e
bastante avessos a promoções e folhetos da semana). Além do mais, sempre preenchem
o “buraquinho” deixado pelos HC restritos.
Também achei positivo a inclusão dos
alimentos de alta densidade nutricional como o gérmen de trigo, a maca, a spirulina e a clorela. Acredito que possam dar um incremento ao processo e trazer
vantagens. A Dra. Ana diz que não devemos usar mais do que uma colher de chá de
cada, o que me parece uma dose segura. No entanto, aconselho a investigarem
melhor antes de os tomar, pois não garanto a inocuidade total de todos eles. Já
li que a maca, por exemplo, pode causar dores de cabeça, ansiedade, aumento do ritmo cardíaco,
etc. em indivíduos susceptíveis como aqueles com doenças cardíacas e tensão
arterial elevada.
As receitas apresentadas foram o
principal motivo que me levou a comprar o livro. São fáceis de fazer, estão bem
explicadas e podem trazer uma lufada de ar fresco às nossas ementas,
principalmente quando não sabemos o que cozinhar. Já experimentei fazer as
panquecas de farinha de arroz e gostei muito.
Adorei o ênfase que é dado à
preparação da “marmita” para o dia seguinte. Quase todos os jantares podem ser
feitos em maior quantidade e reaproveitados - com algumas nuances e acréscimos
- para outras refeições. Eu já o fazia. Uma dieta requer planeamento e, nas
vezes em que não levava almoço para o trabalho, acabava por comer uma gulodice
qualquer, gastando mais dinheiro e comprometendo os meus esforços. Well done,
Doc.
Também vem incluído um plano de
exercícios criado pelo Personal Trainer da Dra. Ana, mas faltam fotos ou
desenhos dos mesmos. Nem sempre é fácil ler um exercício e compreender como os
devemos executar na prática. Eu tenho essa dificuldade, não sei vocês.
As páginas “O meu dia”, em que
registamos o peso ao acordar, o que comemos, a actividade física praticada,
assim como os nossos sentimentos, sucessos e deslizes podem constituir um bom
diário de bordo para não perdermos o rumo. Mas é melhor usarem um caderninho
para isso caso depois queiram emprestar o livro a alguém. Ninguém precisa de
saber que logo ao terceiro dia comemos dois kg de massa de bolo, exercitamos apenas os dedos a mudar de canal e senti-mo-nos uns autênticos cocós de vaca
cósmica a boiar na sanita galáctica da frustração.
Uma coisa que me marcou neste livro
(para quem achava que não trazia nada de novo, isto já são muitos elogios LoL)
foi falar do que se entende como “maturidade alimentar”, que é, no fundo, o que
eu procuro alcançar. Enquanto não tivermos essa “maturidade” vamos andar no tal
ioiô, a nos privar do que gostamos para depois deitarmos tudo a perder,
voltando impunemente aos mesmos hábitos.
Em suma, recomendo o livro,
principalmente para os que não têm dinheiro para serem seguidos regularmente
por um nutricionista e querem começar por algum lado. É um bom primeiro livro.
Recomendo-o também, como já referi, pelas
receitas.
P.S – Tenho a acrescentar que não
recebi nada (nem uma cenoura crua aos pedaços!) por esta review. Se tivesse
recebido, nunca teria insinuado que a derrière da Dra levou Photoshop, pois
não? Nem que ela não fala na marca A Vaca-que-ri (publicitada pela Dra. Ágata
Roquette da Dieta dos 31 dias), mas sugere como merenda os Mini Babybel…
P.S- 1 - Terra Nostra, Primor, Mimosa,
Nova Açores…adoro os vossos queijinhos ;)

