(... é aquele
momento de clarividência, precioso e límpido, em que vês a verdade a imergir
das tuas profundezas - cheia de significado, atordoante e incisiva).
Tenho 36
anos, uma gata e 90,5 quilos. A minha altura e peso, embaralhados numa célebre
fracção, revelam um Índice de Massa Corporal de 31.5, o que me encaixa de forma
folgada na gaveta da Obesidade de Grau I.
Não há como tapar o sol com a peneira, ou com uma túnica bem comprida e floral. Como diria a Witney do "My Big Fat Fabolous Life": "Não sou fofinha, não sou cheiinha. Sou gorda!".
Escrevo isto no decorrer de uma dieta. Na verdade, já não tenho 90,5 Kg mas 89. Decorrida que está uma semana perdi 1,5 kg. Não obstante, sinto-me triste, apática e sem energia - à beira (à beirinha mesmo) de desistir e mergulhar numa taça de gelado, numa panela de massa branca, ou...no que me aparecer à frente e se pareça levemente com um hidrato de carbono.
O
meu Aha moment não foi descobrir nem assumir que estou gorda.
O meu Aha moment
foi constatar que as dietas não estão a resultar. "A dieta ideal é aquela que consegues
manter", mas ando a ano-luz disso.
Sou
uma comum mortal. Falível. Vivo num mundo que me cerca de tentações e me
bombardeia com informação constante cada vez mais contraditória.
Sou
uma comum mortal, cedo a tentações, esqueço convicções... Sou movida por
hormonas, por estados anímicos e pulsões.
Sou uma comum mortal mas não quero sentir-me vexada e limitada, enchouriçada e desconfortável num corpo que sem esperar se tornou no meu. Não quero ver
a minha saúde e qualidade de vida comprometidas por algo que só eu posso
controlar.
Esta
é a luta, este é o desafio. Encontrar a minha dieta: a que me nutre e preenche; com alimentos que gosto e que me dão prazer; feita à minha medida, por mim e para mim.
Só eu posso encontrar esse caminho de equilíbrio;
um trilho para seguir, confiante e segura, num mundo cheio de vozes e bifurcações:
Porque aos comuns mortais
também estão
reservadas coisas extraordinárias!
reservadas coisas extraordinárias!

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