sexta-feira, 19 de junho de 2015

"Corpo de Verão o ano inteiro"... uma review

A minha secção de livros de dieta já ocupa um espaço considerável na minha estante. Alguns deles só não vão para o ecoponto porque tenho medo que reaproveitem o papel para imprimir livros da M. Rebelo Pinto; outros valeram a pena, essencialmente por causa das receitas.

Há alguns anos atrás, os livros de dietas eram, na sua maioria estrangeiros, com receitas e dicas dificilmente adaptáveis à nossa cultura e bolso (não, eu normalmente não como papas de aveia com blueberries ao pequeno-almoço, não cozinho veado nem tenho orçamento para vieiras e ostras). Depois deu-se o Boom! Hoje em dia, quando entramos numa livraria, vemos que o filão das dietas continua a ser explorado como se não houvesse amanhã. Dizem que devemos optar por uma alimentação saudável o ano inteiro mas depois aproveitam-se do nosso despertar da hibernação nos meses pré-estivais para nos bombardearem com promessas adocicadas de melhores versões de nós mesmos, como se fosse só preocupação legítima com o nosso bem-estar.

O último livro que comprei foi “ Corpo de Verão o ano inteiro” da nutricionista Ana Bravo. Já a conhecia (mais das revistas cor-de-rosa do que de outra coisa) mas nunca tinha lido nada dela.

O livro é “bonitinho”, muito bem organizado e acessível. Na capa vem a própria Dra. Ana, sorridente, adornada por um fundo de areia e oceano, mostrando as curvas e contracurvas do seu corpo marcadamente de Verão (ou manipulado num qualquer programa de edição de imagem… Pode ser impressão minha mas aquela curvatura “dorsal” não me parece nada nada natural. Não chegamos lá apenas com reeducação alimentar e exercício? Pelo menos a Dra. Ágata Roquette aparece quase sempre com aquelas batas brancas largueironas...).






Na minha opinião de leitora que já anda a virar frangos dietéticos há muitos anos, o livro não traz grande coisa de novo - não que estivesse à espera disso. No entanto, também não me arrependi de o comprar e acredito que possa ser uma mais-valia.

Parece-me um plano exequível, atento às questões culturais que sempre envolvem a alimentação, contemplando produtos acessíveis e fáceis de encontrar. Apesar de também restringir os hidratos de carbono (HC), não os elimina totalmente (por exemplo: pode-se comer as frutas recomendadas desde a primeira semana, feijão, batata…).

Gostei da inclusão nos cardápios de “pseudocereais”, como o amaranto, a quinoa e o millet. Embora interessantes sobre o ponto de vista nutricional e cada vez mais fáceis de encontrar, noto que muitas pessoas ainda não os conhecem (apesar de não serem propriamente baratos e bastante avessos a promoções e folhetos da semana). Além do mais, sempre preenchem o “buraquinho” deixado pelos HC restritos.

Também achei positivo a inclusão dos alimentos de alta densidade nutricional como o gérmen de trigo, a maca, a spirulina e a clorela. Acredito que possam dar um incremento ao processo e trazer vantagens. A Dra. Ana diz que não devemos usar mais do que uma colher de chá de cada, o que me parece uma dose segura. No entanto, aconselho a investigarem melhor antes de os tomar, pois não garanto a inocuidade total de todos eles. Já li que a maca, por exemplo, pode causar dores de cabeça, ansiedade, aumento do ritmo cardíaco, etc. em indivíduos susceptíveis como aqueles com doenças cardíacas e tensão arterial elevada.

As receitas apresentadas foram o principal motivo que me levou a comprar o livro. São fáceis de fazer, estão bem explicadas e podem trazer uma lufada de ar fresco às nossas ementas, principalmente quando não sabemos o que cozinhar. Já experimentei fazer as panquecas de farinha de arroz e gostei muito.

Adorei o ênfase que é dado à preparação da “marmita” para o dia seguinte. Quase todos os jantares podem ser feitos em maior quantidade e reaproveitados - com algumas nuances e acréscimos - para outras refeições. Eu já o fazia. Uma dieta requer planeamento e, nas vezes em que não levava almoço para o trabalho, acabava por comer uma gulodice qualquer, gastando mais dinheiro e comprometendo os meus esforços. Well done, Doc.

Também vem incluído um plano de exercícios criado pelo Personal Trainer da Dra. Ana, mas faltam fotos ou desenhos dos mesmos. Nem sempre é fácil ler um exercício e compreender como os devemos executar na prática. Eu tenho essa dificuldade, não sei vocês.

As páginas “O meu dia”, em que registamos o peso ao acordar, o que comemos, a actividade física praticada, assim como os nossos sentimentos, sucessos e deslizes podem constituir um bom diário de bordo para não perdermos o rumo. Mas é melhor usarem um caderninho para isso caso depois queiram emprestar o livro a alguém. Ninguém precisa de saber que logo ao terceiro dia comemos dois kg de massa de bolo, exercitamos apenas os dedos a mudar de canal e senti-mo-nos uns autênticos cocós de vaca cósmica a boiar na sanita galáctica da frustração.

Uma coisa que me marcou neste livro (para quem achava que não trazia nada de novo, isto já são muitos elogios LoL) foi falar do que se entende como “maturidade alimentar”, que é, no fundo, o que eu procuro alcançar. Enquanto não tivermos essa “maturidade” vamos andar no tal ioiô, a nos privar do que gostamos para depois deitarmos tudo a perder, voltando impunemente aos mesmos hábitos.

Em suma, recomendo o livro, principalmente para os que não têm dinheiro para serem seguidos regularmente por um nutricionista e querem começar por algum lado. É um bom primeiro livro.

Recomendo-o também, como já referi, pelas receitas.

P.S – Tenho a acrescentar que não recebi nada (nem uma cenoura crua aos pedaços!) por esta review. Se tivesse recebido, nunca teria insinuado que a derrière da Dra levou Photoshop, pois não? Nem que ela não fala na marca A Vaca-que-ri (publicitada pela Dra. Ágata Roquette da Dieta dos 31 dias), mas sugere como merenda os Mini Babybel…



P.S- 1 - Terra Nostra, Primor, Mimosa, Nova Açores…adoro os vossos queijinhos ;)

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